No estado do Pará, a região nordeste possui o processo mais antigo de colonização no estado. A região possui poucas áreas com matas primárias, tendo por consequência do desmatamento: erosões, mudanças climáticas, assoreamento de rios e igarapés e extinção da fauna e flora. Nessa região predomina a agricultura migratória, caracterizada pela derrubada e queima da vegetação natural. Essas áreas são utilizadas por um ou dois anos, e depois são abandonadas por um tempo. Passado um período estas terras são novamente queimadas para o próximo período de cultivo. Como consequência da intensificação da queima a produção dos cultivos agrícolas é reduzida, em virtude da redução de nutrientes disponíveis, ocasionada pela diminuição do material vegetal. Em virtude disso, surgiu a necessidade de gerar alternativas sustentáveis para o uso da terra.

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são considerados excelentes alternativas para utilização de recursos que aumentam a produtividade, proporcionando maior nível de sustentabilidade devido ao aumento da biodiversidade no sistema de produção. A diversidade é fundamental para a estabilidade biológica e econômica em todos os modelos de SAFs. Este sistema de cultivo apresentam inúmeras vantagens, seja do ponto de vista ecológico, econômico e social, por serem considerados sustentáveis, visto que contribuem para a qualidade do meio ambiente; gerando renda aos agricultores e por integrarem homens e mulheres em suas atividades, possibilitando a participação de todos no processo produtivo. O objetivo principal dos SAFs é aperfeiçoar o uso da terra, conciliando a produção florestal com a produção agrícola. Harmonizam os agroecossistemas com os processos dinâmicos dos ecossistemas naturais.

Através dos Sistemas Agroflorestais criam-se diferentes estrados ou andares vegetais, procurando imitar uma floresta natural, onde as árvores e/ou arbustos, pela influência que exercem no processo de ciclagem de nutrientes e no aproveitamento da energia solar são considerados os elementos estruturais básicos e principais para a estabilidade do sistema. O aproveitamento dos diferentes estratos verticais imita o ambiente florestal natural, proporcionando aos vegetais condições de desenvolvimento com baixa intervenção silvicultural nas etapas mais avançadas do processo. Os Sistemas Agroflorestais proporcionam a melhoria da estrutura e fertilidade dos solos e promovem uma maior eficiência na ciclagem de nutrientes promovida pelas raízes dos componentes arbóreos, arbustivos e herbáceos. A utilização de diferentes espécies melhor o aproveitamento da área, aliando interesses conservacionistas e econômicos. Em comparação aos sistemas convencionais de uso do solo, os SAFs apresentam como vantagem o aproveitamento mais eficiente dos recursos naturais, obtidos através da otimização do uso de energia solar pelas plantas devido à estratificação dos componentes, pela ciclagem de nutrientes, pela manutenção da umidade do solo e pela proteção do solo contra erosão. A combinação de árvores com cultivos anuais e/ou permanentes fazem com que tenham o potencial de diversificar a renda, diminuir a pressão sobre as florestas remanescentes e produzir várias culturas ao mesmo tempo e minimizar o risco de perdas.

Sistemas Agroflorestais na Amazônia: o caso de Acará

A região norte do Brasil, que ocupa quase metade do território do país e detém a maior extensão de florestas quentes e úmidas do mundo, apresenta grande concentração e diversidade de SAF, que são, na maior parte, estabelecidos e manejados através do conhecimento popular socialmente importante, porém com baixo nível técnico. O uso de SAF surgiu como uma opção sustentável, com possibilidade de auxiliar na redução de desmatamento, uma vez que quebra o ciclo da agricultura migratória. Entre os diversos tipos de sistemas agroflorestais os multiestratificados são os mais praticados na região de Acará.

Os primeiros SAFs implantados no município foram inseridos pelos agricultores nipo-brasileiros, tendo influência desde a década de 1970 com a implantação município de Tomé-Açu e posteriormente em Acará, através da relação de amizade e cooperação entre as famílias dos dois municípios. A estratégia deste tipo de cultivo era diversificação de produção e redução de riscos do monocultivo. Esses sistemas de produção surgiram a partir da busca por novas alternativas produtivas, em função da disseminação da fusariose (Fusarium solani f. sp. piperis) nos plantios de pimenta do reino (Piper nigrum L.), que surgiu em 1957 e passou a devastar os monocultivo de pimenta. A busca por novas alternativas econômicas fizeram com que sistemas consorciados, em rotação e sequencial, com cultivos perenes e anuais fossem adotados, com o objetivo de aproveitar áreas antes, durante e depois do plantio da pimenta o reino. A busca por novas alternativas de produção permite que os sistemas agroflorestais implantados em Acará e Tomé-Açu apresentem grandes perspectivas de expansão na região, visando à ocupação de áreas desmatadas, assim como a recuperação de áreas degradadas.

O município tem se destacado pela tradição do uso de SAF com diferentes composições de espécies, formas e tamanhos, conforme o objetivo do agricultor, tornando-se um modelo base de produção diversificada. Os Sistemas Agroflorestais implantados em Acará têm no cacau e no cupuaçu as duas culturas perenes consideradas principais na rentabilidade dos sistemas e a pimenta do reino aparecem na maioria das propriedades devida a tradição no cultivo e pelos altos rendimentos em curto prazo, mesmo enfrentando fases de declínio com preços mais baixos.

Em Acará os SAFs são formandos, basicamente, por cultivos de pimenta do reino, cacau, açaí e cupuaçu, combinados entre si e/ou com espécies frutíferas e florestais. A pimenta do reino é encontrada na maioria dos SAFTAS, da mesma maneira que o cupuaçu e o açaí. A produção em SAFs vem se desenvolvendo por meio de organização de pequenos produtores, principalmente da Associação Nipo-Brasileira de Acará, que tem buscado parcerias em treinamento com a Emater e financiamentos com Banco do Brasil.

Atualmente a @ParaOil tem mantido parcerias com esses agricultores, com o intuito de verticalizar a produção, disponibilizando os produtos naturais da Amazônia para todo o território nacional e alguns Países da Europa, Asia e EUA.